o rit(o) contemporâneo

4 05 2010

O rito na arte rupestre estaria na ligação do desenho como uma alegoria da realidade/ necessidade. Ao projetar a imagem de um animal na parede, o homem primitivo acreditava que isso o ajudaria a ter sucesso na caça pelo alimento. Esta relação cognitiva entre a realidade e o pictórico sugere, portanto, uma ancestralidade que acompanha a história da evolução humana.

O simulacro integra neste contexto, uma linha de raciocínio que liga o neolítico ao pós-moderno, e a partir desta relação de transferência entre a imagem e a coisa em si, que se encontra uma das fagulhas que mantém acessa a falta como conflito primordial, lacuna entre aquilo que é, e aquilo que se pretende.

Entendendo o desejo como o leitmotiv entre a necessidade de sobrevivência e o imaginário, é que podemos aprofundar nas características da hiper-realidade…

 

“[…] quanto à vantagem e ao dano, eles correm um em direção ao outro, invertem-se um no outro. O homem está entre um e outro, mas não como espectador passivo. O estar – entre quer dizer ter sempre a possibilidade de encontrar-se em uma dimensão mediativa e interrogativa em torno à vantagem e ao dano, ao útil e ao inútil, às infinitas dissimulações do mais-que-sagrado no labirinto do mundo.”  Mario Perniola-Mais-que sagrado Mais-que-profano; P.15.


Em suma, discutimos a relação entre extremos através do caminho do meio; a cada ato útil conjuga-se uma ação ritual…